O presidente eleito Jair Bolsonaro recebe a visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Copacabana.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou a proposta de cessar-fogo com o Hamas, e disse que a vitória na guerra no Oriente Médio, que completou quatro meses nesta quarta-feira, 7, é questão de tempos. Em entrevista à imprensa, ele reforçou um policiamento que tem realizado desde o começo do conflito, de que a única solução para a Faixa de Gaza é a derrota do grupo islâmico. “Render-se às condições delirantes do Hamas levará a outro massacre e trará uma grande tragédia para Israel que ninguém estaria disposto a aceitar”, disse. “A operação militar para desmantelar o Hamas continuará até o fim”, acrescentou. No domingo, 4, o premiê já tinha dito que rejeitava os acordo de cessar-fogo no enclave palestino e garantido que o conflito só vai acabar quando o grupo islâmico for eliminado e os reféns liberados – 132 continuam em Gaza, incluindo 29 que se acredita que tenham morrido. Há duas semanas, Catar, Egito e Estados Unidos tentam firmar um novo acordo entre os envovlidos no conflito para cessar as hostilidade e permitir a libertação dos reféns que ainda estão no enclave palestino.

O Hamas propôs um acordo de trégua em três fases a Israel, que incluiria a libertação dos reféns sequestrados no último dia 7 de outubro, bem como a retirada total das tropas da Faixa de Gaza. A proposta é que as três fases tenham duração de 45 dias cada, totalizando 135 dias, sendo a primeira focada na libertação dos reféns, mulheres e crianças (menores de 19 anos, não militares), idosos e doentes. A rejeição de Netanyahu a esse acordo vem em no mesmo dia em que ele ordenou que as forças isralenses ataque Rafah, cidade em que fica localizada a fronteira com o Egito e por onde estava sendo realizada a retirada e reféns, estrangeiros, feridos e a entrada de medicamento no enclave palestino que vive uma crise humanitária desencadeada pelo cerco imposto por Netanyahu logo no começo da guerra. Mais de 1,3 milhão de deslocados, cinco vezes a população inicial da cidade, estão em Rafah em condições desesperadoras, segundo a ONU.

Mesmo diante da recusa do premiê israelense, Antony Blinken, chefe da diplomacia americana, tem esperança de que se alcance um acordo para libertar os reféns em Gaza, mas advertiu que ainda há “trabalho” a fazer para pôr fim à gerra entre Hamas e Israel. “Há muito trabalho a fazer, mas estamos muito concentrados em fazê-lo e, com sorte, poder retomar a libertação dos reféns que foi interrompida”, declarou Blinken em Jerusalém, em alusão à centena de cativos que foram postos em liberdade no fim de novembro durante a trégua de uma semana. Na quinta-feira, 8, será realizada uma nova rodada de negociações no Cairo, auspiciada por Egito e Catar, com objetivo de alcançar “um cessar-fogo, o fim da guerra e uma troca de prisioneiros”, segundo um funcionário egípcio. Blinken, que está em sua quinta viagem ao Oriente Médio, se reuniu nesta quarta com o primeiro-ministro israelense.

A pressão pelo cessar-fogo aumentou em um momento em que as forças israelenses avançam para Rafah, cidade do sul da Faixa de Gaza, fronteiriça com o Egito, onde se refugiou mais da metade da população do pequeno território palestino. De Jerusalém, Blinken urgiu o envio de mais ajuda humanitária a Gaza, cujos 2,4 milhões de habitantes sofrem com falta de água, comida, medicamentos e combustível. “Todos temos a obrigação de fazer tudo o possível para levar a ajuda necessária aos que dela precisam desesperadamente”, insistiu, antes de viajar para a Cisjordânia ocupada, onde se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que se o exército israelense avançar para Rafah, “aumentaria exponencialmente o que já é um pesadelo humanitário com consequências regionais incalculáveis”. “Chegou a hora de um cessar-fogo humanitário imediato e da libertação incondicional de todos os reféns”, acrescentou, em um discurso na Assembleia Geral.

*Com informações da AFP

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