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Algumas pessoas se sentem mais tranquilas quando são atendidas por médicos de mais idade — e, teoricamente, mais experientes. Mas a idade do profissional impacta no seu risco de se recuperar ou de não sobreviver?

Os americanos Anupam B. Jena e Christopher Worsham, pesquisadores na Universidade Harvard e médicos do Massachusetts General Hospital, buscaram responder esta questão analisando dados do Medicare — sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos EUA.

Eles identificaram 737 mil internações não eletivas de pessoas com mais de 65 anos conduzidas por 19 mil diferentes médicos entre 2011 e 2013. Os especialistas foram divididos em quatro grupos: os com menos de 40 anos, com idade de 40 a 49 anos, de 50 a 59 anos e com 60 anos ou mais.

Palavra dos autores

“Uma certa porcentagem de pacientes hospitalizados sobreviverá ou morrerá, não importa quem seja seu médico, mas para outros, o julgamento clínico, a tomada de decisão e a habilidade técnica de seu médico podem ser a diferença entre a vida e a morte”, escreveram os autores em um artigo publicado no jornal americano The Wall Street Journal.

Ao analisarem os números de mortes e de altas de 30 dias, os pesquisadores se surpreenderam. As estatísticas mostraram que, à medida que os médicos envelheciam, as taxas de mortalidade de seus pacientes aumentavam.

O estudo aponta que entre os médicos com menos de 40 anos, a taxa de mortalidade dos pacientes era de 10,8%. O índice aumentou para 11,1% quando os especialistas estavam na faixa etária de 40 a 49 anos, indo a 11,3% no grupo de 50 a 59 anos. Quando o médico tinha 60 anos ou mais, a taxa foi de 12,1%.

Análise repetida

“Para colocar esses números em perspectiva, os resultados sugeriram que se os médicos com mais de 60 anos cuidassem de 1.000 pacientes, 13 pacientes que morreram sob seus cuidados teriam sobrevivido se tivessem sido atendidos pelos médicos com menos de 40 anos”, explicaram os pesquisadores no artigo.

A análise foi repetida considerando a mortalidade em períodos de tempo de 60 e 90 dias. E o resultado foi semelhante, com os médicos mais jovens apresentando resultados melhores em comparação com os colegas que tinham mais tempo de experiência.

Os autores levantaram duas hipóteses para tentar explicar essa diferença entre gerações. A primeira tem a ver com o tempo de vivência profissional. Os pesquisadores acreditam que médicos com mais idade tenham uma maior confiança na sua experiência, o que pode prejudicar na avaliação de casos mais complexos.

Detalhes importantes

A ideia de já ter visto vários casos como aquele faz o profissional agir no automático e deixar de prestar atenção em detalhes importantes.

A outra possibilidade tem a ver com a formação. Médicos de diferentes faixas etárias se formaram com décadas de diferença. Quanto mais jovem é o profissional, mais recentes são os conhecimentos clínicos adquiridos na universidade.

De acordo com notícia do jornal O Globo, nos últimos anos a medicina evoluiu muito rapidamente, e novas descobertas são apresentadas aos futuros médicos durante seu período de formação.

“Se os médicos mais velhos não acompanharam os últimos avanços em pesquisa e tecnologia, ou se não seguirem as diretrizes mais recentes, seu atendimento pode não ser tão bom quanto o de seus colegas mais jovens”, pontuam os autores no jornal americano.

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