Casarão histórico para o patrimônio cultural, a Casa dos Alcântara está ruindo aos poucos. Parte de uma de suas laterais, uma parede, veio à baixo ao não resistir mais ao abandono, além de efeitos das chuvas que caem nesta região. O histórico prédio também representa um dos dois mais belos cartões postais da cidade de Livramento de Nossa Senhora. O outro é a Cachoeira Véu de Noiva localizada na Serra Geral, entre este município e Rio de Contas.
Devido a sua falta de conservação e manutenção as ruínas do antigo prédio já vinham gerando insegurança e críticas de moradores, em especial os residentes em seu entorno, por causa de seu total abandono. O local onde se estabeleceram as mais nobres famílias da antiga Livramento se tornou um amontoado de ruínas em estado de decomposição.





Atualmente a má conservação deste imóvel polui a paisagem da Praça Dom Hélio Paschoal (Praça da Bandeira), onde localizam-se as sedes da Catedral, Prefeitura e Câmara de Vereadores e, por isto, repele turistas e visitantes que circulam pela região.
Mas este casarão está em ruínas por culpa de seus próprios herdeiros, uma vez que em 2013/2014 recusaram-se em negociar o imóvel com a Prefeitura que tinha interesse em torná-lo patrimônio histórico e futuro museu. Nesses dois anos foi encaminhada proposta de troca do prédio por um outro (antiga Cantina dos Garis), porém, não houve esforços concentrados neste sentido por culpa também do gestor na época.
Por um lado, um dos herdeiros, que já havia comprado grande parte da propriedade, queria a venda, negando a troca entre os imóveis, negociação sem sucesso, mas tentada por várias vezes com membros da família Alcântara.
Com origem na era colonial, Livramento de Nossa Senhora é rico em edificações históricas, com um valoroso acervo arquitetônico. O município tem como capital patrimonial histórico os casarões da família Spínola, no Recreio, o casarão da Lagoa do Totonho, nos Coqueiros, a residencial dos Assis e a Casa Rosada, na Rua do Areião. Porém, nenhum dos imóveis goza de proteção legal, apesar da importância histórica. Estão todos preservados por amor e tradição familiar.
Sob responsabilidade do município apenas um imóvel se mantém preservado, mas não tombado, que é o prédio da prefeitura que pertenceu a família Tanajura. O imóvel recebeu recentemente uma reforma geral, com troca de telhado, serviços de substituição e manutenção da rede elétrica, hidráulica, e pintura, mantendo sua preservação original, abrigando o Paço Municipal.
O Casarão dos Alcântara, por ostentar praticamente um monumento histórico patrimonial, não recebe também nenhuma proteção legal e, apesar da importância histórica, está caminhando para o desaparecimento e certamente um dia será apenas mais uma lembrança. Naquele prédio durante anos era montado um lindo presépio para visitação pública, uma vez que era permitida a presença de visitantes que vinham de toda a região. O presépio ficava instalado exatamente no cômodo da casa que, por ironia, desabou devido às chuvas.
Tombamento


Projeto da arquiteta livramentense Kelly Alcântara Spínola transformaria o Casarão em belíssimo museu
Em 2013 e 2014 o Casarão dos Alcântara deveria ter sido tombado e se tornado patrimônio histórico do município. Esta foi uma luta do então coordenador de Cultura do Município, o jornalista Yonélio Sayd. Ele elaborou um projeto que fora encaminhado para a secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para apresentar a proposta, requerendo não somente o tombamento como a contratação de recursos para fazer reformas e transformar o prédio em um museu. O imóvel é propriedade particular, mas já havia sido cadastrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado da Bahia como bem a ser preservado, mas não promoveu o tombamento, que supostamente seria para garantir a preservação.
Conseguindo êxito, a casa seria denominada Museu Casa Grande, porém, a proposta não seguiu adiante porque houve desinteresse dos seus herdeiros e proprietários. Em relação ao poder público, Yonélio Sayd também conseguiu sensibilizar o prefeito na época, Dr. Paulo Cesar Cardoso de Azevedo, propondo a troca do imóvel por um outro, a antiga Cantina dos Garis, todavia, isto também não prosperou.
Sem preservação patrimonial e condenado às ruinas, o Casarão dos Alcântara foi cedendo as intempéries do tempo e dos anos e hoje mantém apenas a sua fachada que preserva o formato ogival de sua porta e suas 10 janelas frontais e laterais. O prédio antigo ainda possui características arquitetônicas de meados do século XIX, tendo pertencido inicialmente ao padre Tibério Severino, Rio de Contas. Mas, no seu interior, nada existe mais, e agora, com o desabamento lateral acaba perdendo um de seus mais memoriais cômodos, o mesmo que abrigava o lindo presépio já citado acima.
Com paredes em ruínas, tijolos quebrados e seu interior povoado por vegetações, o imóvel tornou-se ponto de encontro para usuários de drogas, de acordo com moradores. Os seus herdeiros visam apenas valorizar o terreno por sua localização na bela praça, considerada um centro histórico patrimonial por abrigar outros antigos prédios como a prefeitura, a catedral e a câmara municipal.
Equivocadamente, o desabamento da parte lateral do casarão tem sido atribuído ao poder público. Uma parte da população, especialmente do grupo de oposição, acusa o estado de abandono de responsabilidade da prefeitura.
Não é verdade. A atual gestão municipal não tem como fazer quaisquer reparos por se tratar de propriedade privada. Exceto se, mesmo não tombado, o prédio fosse cedido aos cuidados do poder público ao menos para sua manutenção e preservação. Ou seja, a prefeitura faria as devidas intervenções, como retirar goteiras e outros serviços, mantendo a casa fechada, porém, preservada.
O risco agora é a fachada frontal desabar e provocar uma tragédia com mortes de pessoas que costumam sentar-se em seu passeio ou trafegando na praça. Se isto vir ocorrer quem será responsabilizado? Fonte//muraldenoticias



