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Nos últimos meses, tem sido cada vez mais comum observar um número elevado de pedintes circulando pelas principais ruas e avenidas comerciais de Brumado, Bahia. O que mais tem chamado a atenção e causado preocupação entre os moradores é o uso de crianças pequenas — algumas recém-nascidas — para sensibilizar a população e conseguir doações.
Em diversos pontos da cidade, especialmente no centro comercial e próximo a semáforos, é possível ver mulheres e até homens acompanhados de crianças de colo ou de 3 a 4 anos, muitas vezes expostas ao sol e à poeira, pedindo ajuda financeira ou alimentos. A prática tem gerado indignação e inúmeros questionamentos sobre a segurança e o bem-estar desses menores.
Segundo relatos de comerciantes e transeuntes, a presença dessas famílias é constante. “A gente vê todos os dias as mesmas pessoas com crianças pequenas, debaixo de sol quente, pedindo ajuda. É uma situação triste, mas também preocupante, porque envolve crianças que deveriam estar sendo protegidas”, comenta uma moradora da área central.
O Conselho Tutelar de Brumado tem sido acionado com frequência para averiguar casos como esses. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), expor menores a situações de risco, como a mendicância, configura violação de direitos e pode gerar medidas protetivas, tanto para as crianças quanto responsabilização dos responsáveis legais.
A assistente social explica que a situação é complexa: “Muitas dessas pessoas estão em vulnerabilidade social, sem renda e sem acesso a políticas públicas. Mas é importante destacar que o uso de crianças para pedir esmolas é uma forma de exploração infantil, e o poder público precisa intervir com ações sociais e de acolhimento, não apenas com fiscalização.”
O cenário acende um alerta para a necessidade de ações mais firmes da rede de proteção social, com abordagens humanizadas que possam oferecer alternativas de renda e apoio às famílias em situação de extrema pobreza. Órgãos como a Secretaria de Desenvolvimento Social e o Conselho Tutelar têm papel fundamental nesse trabalho, tanto para proteger as crianças quanto para encaminhar os adultos aos serviços de assistência.
Enquanto isso, parte da população também questiona o tipo de ajuda que deve ser oferecida. Especialistas recomendam que, em vez de dar dinheiro diretamente, as pessoas procurem direcionar doações para instituições sociais, projetos assistenciais e programas oficiais, que possam garantir suporte real e acompanhamento a essas famílias.
O aumento de pedintes com crianças em Brumado é um problema social que reflete desigualdade, desemprego e falta de oportunidades, mas também exige empatia e responsabilidade coletiva. O desafio agora é equilibrar solidariedade e proteção, garantindo que nenhuma criança continue exposta à rua como instrumento de apelo.



