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Especialistas apontam falência da política de confronto após alta de policiais baleados em 2026

Especialistas apontam falência da política de confronto após alta de policiais baleados em 2026

Foto: Arquivo

O expressivo aumento no número de agentes de segurança baleados em Salvador e Região Metropolitana em 2026 expõe o esgotamento do atual modelo de segurança pública. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, até 26 de março, 16 agentes foram atingidos (5 mortos e 11 feridos), cifra que já supera a metade de todos os registros de 2025.

Para a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, os dados evidenciam que a lógica de enfrentamento armado nas periferias falha em proteger tanto a população quanto os próprios policiais.

O cofundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro, critica a manutenção de um modelo centrado na repressão que, segundo ele, atinge de forma desproporcional a juventude negra e os profissionais da linha de frente. “A gente precisa entender que essa política de guerra não protege ninguém. Ela expõe tanto os moradores das periferias quanto os próprios agentes de segurança a uma dinâmica permanente de risco e morte”, declarou.

Ribeiro argumenta que os policiais são enviados para operações de alto risco em territórios vulneráveis sem uma estratégia estruturante que priorize a redução da violência.

Para a organização, a atual “guerra às drogas” funciona, na prática, como uma guerra contra pessoas negras e periféricas, revelando-se ineficaz para o controle da criminalidade organizada.

“Defendemos a revisão do atual modelo, com a construção de uma nova política sobre drogas baseada em direitos humanos, redução de danos e enfrentamento das desigualdades raciais”, concluiu Ribeiro, reforçando que o debate sobre segurança deve avançar para além do simples aumento do policiamento.

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