Foto: Breno Carvalho/ Estadão
Conflito entre ministros do Supremo e decisões envolvendo a Polícia Federal aumentam a tensão em Brasília e preocupam aliados do presidente em plena disputa eleitoral
A crise interna que tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser tratada com atenção redobrada pelo Palácio do Planalto e pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O receio entre aliados é que a escalada do conflito institucional acabe contaminando o ambiente eleitoral e oferecendo à oposição uma oportunidade para desgastar o governo.
O cenário ganhou novos contornos após decisões envolvendo integrantes da Polícia Federal e o embate público entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Diante da crescente tensão, a estratégia adotada pelo governo tem sido evitar declarações que possam ampliar o confronto ou colocar diretamente o presidente no centro da disputa entre os magistrados.
Nos bastidores, a expectativa é de que o presidente do STF, Edson Fachin, consiga atuar para reduzir a temperatura da crise e conduzir o tribunal de volta a um ambiente de maior estabilidade. Lula e Fachin estiveram juntos durante o desfile de 7 de Setembro, em meio às articulações para tentar encontrar uma saída para o impasse.
A situação se agravou depois que André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão provocou reação do governo e levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a recorrer ao presidente do Supremo.
Planalto evita confronto direto
Dentro do governo, a orientação é manter cautela. A avaliação política é que uma ofensiva pública contra Mendonça, ou uma defesa explícita de Moraes, poderia aprofundar a crise e transferir para o Palácio do Planalto um conflito que ocorre dentro da própria Corte.
A preocupação ganhou ainda mais peso diante do cenário eleitoral. A campanha de Lula busca evitar que a crise do STF seja utilizada pela oposição para associar o presidente às decisões e disputas que envolvem o tribunal.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por outro lado, tenta transformar o desgaste do Supremo em argumento político contra o governo. A estratégia oposicionista é explorar o ambiente de tensão institucional e apresentar Lula como parte de um sistema político que precisa ser confrontado.
Eleição entra no centro da preocupação
O momento é especialmente delicado para o governo porque a disputa presidencial aparece apertada em pesquisas recentes. Levantamentos divulgados nesta semana apontaram cenário de empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno, aumentando a preocupação dentro da campanha petista.
Com a eleição cada vez mais presente nas decisões políticas de Brasília, qualquer crise institucional pode ganhar dimensão eleitoral. Por isso, a equipe de Lula trabalha para impedir que o conflito no STF se transforme em um dos principais temas da campanha.
O desafio agora é separar a imagem do governo das turbulências do Judiciário e, ao mesmo tempo, evitar que a oposição consiga monopolizar o discurso sobre a crise.
Enquanto isso, a pressão aumenta sobre Edson Fachin para que o Supremo encontre uma saída para o impasse. A expectativa no Planalto é de que uma solução institucional reduza a temperatura da disputa e impeça que a crise continue produzindo efeitos políticos justamente em um dos momentos mais sensíveis da corrida presidencial.



