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PISA 2025 acende alerta: menos da metade dos adolescentes brasileiros domina interpretação de textos

PISA 2025 acende alerta: menos da metade dos adolescentes brasileiros domina interpretação de textos

Foto: Reprodução

Desempenho do Brasil em leitura ficou abaixo da média dos países da OCDE; matemática apresenta cenário ainda mais preocupante

Um novo retrato da educação brasileira acendeu o alerta sobre a capacidade de leitura dos adolescentes. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2025 mostram que apenas 49% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram o nível considerado mínimo de proficiência em leitura.

O percentual está bem abaixo da média registrada entre os 38 países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que chegou a 69%. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (8).

Na prática, os estudantes classificados nesse nível conseguem compreender a ideia principal de textos de extensão moderada, localizar informações e refletir sobre determinados aspectos do conteúdo apresentado.

O resultado preocupa porque a leitura é considerada uma habilidade fundamental para o desenvolvimento escolar. A capacidade de compreender informações é necessária não apenas nas aulas de língua portuguesa, mas também para aprender matemática, ciências, história e outras disciplinas.

Apenas 1% apresenta desempenho avançado

O levantamento também mostra uma diferença significativa nos níveis mais altos de desempenho. Enquanto cerca de 6% dos estudantes dos países da OCDE apresentam alta performance em leitura, no Brasil esse percentual é de apenas 1%.

Esses alunos são capazes de compreender textos mais complexos, interpretar conceitos abstratos e identificar diferenças entre fatos e opiniões a partir de informações que nem sempre aparecem de maneira explícita.

O PISA 2025 avaliou mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países. No Brasil, participaram aproximadamente 30 mil adolescentes de cerca de mil escolas.

Matemática apresenta cenário ainda mais preocupante

Se os números da leitura chamam atenção, o desempenho em matemática é ainda mais baixo. Apenas 28% dos estudantes brasileiros avaliados demonstraram proficiência, enquanto a média dos países da OCDE foi de 65%.

Os resultados mostram que uma parcela significativa dos adolescentes enfrenta dificuldades para utilizar conhecimentos matemáticos em situações práticas do cotidiano.

Desigualdade influencia desempenho

Outro ponto destacado pelo levantamento é o impacto das condições socioeconômicas sobre o aprendizado.

No Brasil, a diferença de desempenho entre estudantes de diferentes grupos sociais é expressiva. Em ciências naturais, por exemplo, a distância entre os alunos que estão no topo e na base da escala socioeconômica chega a 96 pontos, acima da diferença média de 85 pontos observada entre os países da OCDE.

O estudo também aponta problemas relacionados à estrutura das escolas. Segundo a avaliação, parte dos estudantes frequenta instituições afetadas pela falta de professores, materiais e condições adequadas de infraestrutura.

Inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes

O PISA 2025 também avaliou, pela primeira vez, a utilização de ferramentas de inteligência artificial pelos estudantes.

No Brasil, 48% dos adolescentes afirmaram utilizar chatbots de IA para atividades relacionadas à aprendizagem pelo menos uma vez por semana. Entre os usos mais comuns estão pesquisas iniciais sobre assuntos, elaboração de resumos e preparação de trabalhos.

O avanço dessas tecnologias, segundo o estudo, representa tanto uma oportunidade quanto um novo desafio para os sistemas educacionais, que precisam preparar os estudantes para utilizar essas ferramentas de maneira crítica e responsável.

Desafio vai além da sala de aula

Os resultados do PISA apontam para um problema que não se resume apenas ao desempenho em provas. A queda nas habilidades de leitura ocorre em diversos países e, segundo a análise, pode estar relacionada a mudanças no comportamento dos estudantes, ao uso crescente das telas, à perda de interesse pela leitura e às dificuldades enfrentadas pelos sistemas educacionais nos últimos anos.

Para o Brasil, os números reforçam a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da educação básica, incentivo à leitura, melhoria da infraestrutura escolar e redução das desigualdades que interferem diretamente no aprendizado.

Mais do que recuperar posições em rankings internacionais, o desafio é garantir que os jovens tenham condições de compreender informações, desenvolver pensamento crítico e utilizar o conhecimento para enfrentar situações reais do cotidiano.

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