Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Moradores do município de Banabuiú, no sertão central do Ceará, enfrentam dificuldades para conseguir água mineral após comerciantes suspenderem a comercialização do produto por causa de ameaças atribuídas a integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. A situação começou no dia 19 de outubro e obrigou a população a buscar alternativas para garantir o abastecimento.
Segundo informações divulgadas, distribuidores e revendedores receberam mensagens ameaçadoras por meio do WhatsApp e das redes sociais. Os criminosos teriam imposto condições para permitir a venda de água na cidade, mas os comerciantes não aceitaram as exigências e interromperam as atividades.
Diante do problema, o Governo do Ceará organizou uma operação emergencial para garantir o acesso da população à água potável. A distribuição passou a ser realizada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará, com forte escolta policial.
O atendimento, iniciado no sábado (31), foi retomado nesta terça-feira (3), após dois dias de interrupção. Entretanto, a comercialização ocorre de maneira limitada, com direito a apenas dois garrafões por morador. O preço foi mantido no mesmo valor praticado pelos revendedores, mas os consumidores precisam buscar o produto no local, sem serviço de entrega em domicílio.
A mudança provocou filas e longos períodos de espera, inclusive durante o forte calor. Moradores relatam que algumas pessoas chegam ainda de madrugada para conseguir os garrafões. Sem acesso regular à água mineral, parte da população chegou a consumir água de açude, mas relatou problemas após o consumo.
O prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho, afirmou que os comerciantes receberam ameaças e que os criminosos tentavam estabelecer uma espécie de autorização para a comercialização da água no município.
Até o momento, três homens foram presos suspeitos de participação nas ameaças. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, as investigações também identificaram o suposto mandante do esquema, que estaria transmitindo ordens de dentro da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Ele ainda não havia sido localizado.
O secretário-executivo de Ações Integradas e Estratégicas da pasta, Sérgio Pereira, destacou que os criminosos exploram a necessidade básica da população para tentar exercer controle sobre atividades comerciais e serviços essenciais.
A situação tem provocado preocupação entre os moradores, especialmente famílias com crianças e idosos, que precisam enfrentar filas sob temperaturas próximas dos 40 °C para garantir o acesso à água potável. O episódio evidencia os impactos da atuação de organizações criminosas sobre a rotina e os serviços essenciais oferecidos à população.



