Foto: Reprodução/Brasil Escola
A seca que me faz triste, é a mesma que sempre persiste e por que tu não desiste?
Catingueiro é único. . . e resiste. Alegria vem da “tripa”, comida vem do chão, se a gente não se equipa, vive de pires na mão.
Cavalo bom “ataia” o gado, por isto vou te dizer: vou me virar de todo lado, pra de tu não depender.
“Nois” sofre de boca calada, porém chegou a hora de a quem nessa bocada ter que pedir agora. Já apelei pro Bom Jesus pra nos mandar alguma chuva, com ela a gente produz feijão, arroz, farinha e até uva.
Jesus é a esperança da chuva que vem do céu, mas é pra nossa Governança que vou estender o chapéu.
O gado passando fome dá dó no coração, pois diferente dos “home”, não vive de oração.
Os bichos só bebem e comem aquilo que a gente dá, por não saber dizer amém, ficam fraco a berrar.
Isso me dói na alma, sem nada poder fazer não venha me pedir calma, sem cumprir o seu dever. Vendo animal pedindo socorro, vou te bater a real, nem que leve muito esporro, a coisa tá muito mal.
Se o Governo não cai pra dentro, ninguém sabe o que vai ser, chega de sofrimento e de tanto padecer.
O dinheiro tá no banco e o milho tá na CONAB, quem guarda na hora da fome o bicho vem e come. Liberem dinheiro pro povo e comida pra criação, não aguento mais comer ovo e ver os bichos lambendo o chão.
A chuva tá pra chegar, é o que diz a previsão, não vou ficar de boca calada com o povo sem comer pão, só esperando a enxurrada.
Levanta reage e grita, tire a dor do coração, se este ano ninguém escuta, ano que vem é eleição. Se neste ninguém ajuda, não passem procuração, aja com coragem e força, fazendo renovação.
Vou encerrar aqui esta minha lamúria, caatinga por devoção, mesmo que nos falte a cúria, te tenho no coração!
João Bonfim é servidor público por obrigação e do agro por devoção!
Fonte: Rádio Portal Sudoeste



