Foto: Agência IBGE Notícias
Os efeitos do El Niño podem pesar no bolso dos brasileiros nos próximos meses. Um modelo matemático desenvolvido pelo Rabobank aponta que os preços dos alimentos podem registrar forte alta, com os impactos dos choques climáticos atingindo o pico em até seis meses.
Os produtos in natura, especialmente carnes e hortaliças, estão entre os mais vulneráveis. Em um cenário de El Niño forte, essa categoria pode apresentar aumento de até 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio teria avanço estimado de 6,32%. Caso o fenômeno ocorra com intensidade moderada, as projeções são de altas de 13,4% e 2%, respectivamente.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura. No Brasil, essas mudanças podem resultar em estiagens em importantes regiões produtoras e excesso de precipitação em outras, afetando lavouras, pastagens, produtividade e, consequentemente, a oferta de alimentos. O próprio Rabobank já vinha alertando que as previsões indicavam o estabelecimento do El Niño em 2026 e seu fortalecimento ao longo do segundo semestre.
As hortaliças tendem a sentir os efeitos mais rapidamente por possuírem ciclos de produção mais curtos. Produtos semi-elaborados, como arroz e feijão, podem sofrer impactos de forma mais gradual, inclusive pelo aumento dos custos dos insumos. Já os industrializados costumam apresentar variações mais suaves, uma vez que seu preço final também envolve despesas com processamento, embalagens, transporte e comercialização.
Para chegar às projeções, o estudo comparou a evolução do Índice Oceânico Niño (ONI), indicador utilizado para acompanhar a intensidade do fenômeno, com o comportamento da inflação dos alimentos consumidos nos domicílios brasileiros durante episódios anteriores de El Niño. A dimensão do impacto, no entanto, dependerá da intensidade e duração do fenômeno, das condições das safras e do cenário econômico.



