Foto: Ilustrativa
Em várias ruas e calçadas de Brumado, na Bahia, moradores têm relatado um incômodo crescente: proprietários de cães que passeiam com seus pets não coletam as fezes deixadas pelos animais nas vias públicas. A prática não só compromete a limpeza urbana, como também pode trazer riscos à saúde da população e ao meio ambiente.
Situação real nas ruas
Embora não existam dados oficiais específicos sobre a quantidade de fezes deixadas nas vias, relatos de moradores indicam que o problema é frequente, especialmente em bairros com maior circulação de cães. Muitos pedestres são obrigados a desviar do caminho para não pisar nos dejetos, situação que incomoda quem caminha com crianças ou idosos.
Especialistas em meio ambiente e saúde pública alertam que fezes de cães podem conter parasitas e bactérias que transmitem doenças, podendo contaminar solo e até cursos d’água em períodos de chuva. Mesmo fora de uma perspectiva epidemiológica, a presença constante de resíduos orgânicos nas ruas compromete a convivência e a imagem da cidade.
Responsabilidade dos donos e legislação
No Brasil, e em muitas cidades do país, existe legislação que obriga os tutores a recolherem os dejetos dos seus cães durante os passeios em áreas públicas. Em locais onde essa regra está em vigor, o não cumprimento pode resultar em multa, justamente para estimular o comportamento responsável e manter a cidade limpa.
Em Brumado, embora as iniciativas municipais recentes venham abordando a presença de animais soltos nas ruas — com decretos que permitem a apreensão de cães e outros animais e a aplicação de penalidades ao proprietário — o foco principal tem sido a circulação de animais soltos e não especificamente as fezes deixadas nas vias.
Ações públicas e desafios
Nos últimos meses, a Prefeitura Municipal de Brumado publicou decretos reforçando a proibição de animais soltos nas ruas e rodovias, com penalidades previstas para os responsáveis pelos animais encontrados nessas condições. Animais apreendidos podem ser encaminhados ao curral municipal, com aplicação de multas que variam conforme o porte do animal e taxas diárias de custódia.
Apesar das normas, moradores e especialistas apontam que as ações concretas de fiscalização ainda são tímidas, e a questão de fezes nas ruas segue sem uma campanha explícita de conscientização ou fiscalização, deixando a cargo apenas a boa vontade dos donos de pets.
Percepção da comunidade
Moradores têm demonstrado frustração com a situação. Para muitos, passear pelas calçadas tem se transformado em desafio, já que a falta de coleta causa incômodo e sensação de descuido coletivo. “É desagradável andar pela cidade e ver tantos cocôs nas calçadas. Isso mostra falta de educação e respeito”, relatou um morador do bairro São Félix.
Educação e convivência urbana
Especialistas em comportamento animal e educação ambiental reforçam que a solução passa, sobretudo, por educação e conscientização dos tutores. Incentivar o uso de sacolas ou ferramentas apropriadas, criar pontos de descarte de resíduos em áreas de maior circulação de cães e campanhas públicas explicativas sobre saúde, meio ambiente e respeito à coletividade podem fazer diferença ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, significa-se necessário um esforço conjunto entre cidadãos, tutores de pets e poder público para transformar a prática de andar com o animal de estimação em um ato de responsabilidade social — não apenas de lazer.



