Foto: Léo Pierote
Quando se fala em sinalização horizontal em Livramento de Nossa Senhora, o que deveria representar segurança e organização no trânsito se tornou mais um símbolo do desperdício de recursos públicos e da falta de planejamento. A tinta utilizada recentemente para demarcar faixas de pedestre e sinalizações laterais — assim como em tentativas anteriores — demonstrou total ineficiência, desaparecendo em poucos dias.
O caso mais recente ocorreu após uma leve neblina na madrugada do dia 29 de maio de 2024, quando as marcações simplesmente desapareceram, como se jamais tivessem sido feitas. Moradores expressaram revolta nas redes sociais, que há meses denuncia o risco de acidentes em uma cidade que, por longos períodos, ficou sem qualquer tipo de demarcação viária.
Apesar das críticas anteriores e da experiência fracassada com o mesmo tipo de tinta comum, o Governo do Estado da Bahia voltou a aplicar o mesmo material nas vias da cidade nos últimos dias. O resultado? O mesmo. Bastou a neblina da noite de domingo (1º de junho) para que os traços escorressem com a água e sumissem novamente.
A população, mais uma vez, se vê diante de um ciclo vicioso: tinta errada, mão de obra mobilizada, interdições no trânsito, e dinheiro público indo literalmente ralo abaixo. Tudo isso sem qualquer garantia de durabilidade ou segurança. A única ocasião em que a sinalização horizontal foi efetiva e duradoura em Livramento ocorreu quando foi utilizada a Tinta Termoplástica Extrudada, material reconhecido por sua resistência e adequação ao clima e tráfego urbano.
É lamentável constatar que os recursos utilizados nas diversas tentativas mal sucedidas talvez fossem suficientes para aplicar a solução correta desde o início. A insistência no erro, mesmo após denúncias e alertas, soa como desrespeito com a população e levanta uma série de questionamentos:
Quem autorizou o uso recorrente do material inadequado?
Por que, após tantas falhas, nada foi corrigido?
Quanto custaram essas intervenções ineficazes?
E até quando o dinheiro do povo será desperdiçado dessa forma?
Sinalização viária não é uma formalidade urbana: é uma necessidade básica, que impacta diretamente a segurança de pedestres, motoristas e ciclistas. Tratar esse tema com improviso é comprometer vidas e demonstrar desprezo pela responsabilidade pública.
A população livramentense clama por seriedade na gestão. É urgente romper o ciclo de negligência e exigir soluções definitivas. Antes que mais uma chuva — ou apenas uma leve neblina — apague, de novo, o que já deveria estar consolidado há muito tempo.



